A ausência de coordenação entre as autoridades nacionais e sul-africanas e a falta de credibilidade dos testes da COVID-19 realizados em Moçambique são algumas causas do caos que se verifica na travessia da fronteira de Ressano Garcia para a África do Sul, de acordo com o presidente do Pelouro da Política Fiscal Aduaneira e Comércio Internacional na CTA, Kekobad Patel.

No país vizinho, as infecções pelo novo Coronavírus dispararam, de há dias a esta parte, o que levou o Presidente Cyril Ramaphosa a agravar o lockdown do nível um para três e impor exigências aos cidadãos que pretendam entrar naquele território. Os testes da COVID-19 realizados em Moçambique, por exemplo, são colocados em causa e parece ser este o pomo de discórdia a ponto de viajantes serem impedidos de entrar na África do Sul com celeridade a que estavam habituados.

“O problema da confiança e credibilidade é pelo trabalho, pelo rigor e pelo profissionalismo e não pelo fala-barato dizendo que a África do Sul é culpada. Nós temos que assumir que somos os primeiros culpados”, disse Kekobad Patel, para quem “Moçambique tem que mostrar que tem capacidade de fazer as coisas com rigor”.

Desde a semana passada, está difícil atravessar a fronteira de Ressano Garcia para a vizinha “terra do rand”, o chamado eldorado para milhares de moçambicanos e cidadãos de outros países. Esta terça-feira, viaturas formaram filas num percurso de 15 km na EN4, sem possibilidades de avançar para qualquer lado.

A situação acontece semanas depois do lançamento da operação “Tivikelele COVID-19”, a 11 de Dezembro passado, com objectivo de garantir o controlo e a fluidez do movimento migratório durante a quadra festiva. Terminada a quadra festiva, gerou-se um caos em Ressano Garcia.

“O espectáculo que nós vemos” na fronteira de Ressano Garcia “demonstra total desorganização” no terreno, disse Kekobad Patel, sem apontar os culpados pela bandalheira à porta da África do Sul.

Contudo, o presidente do Pelouro da Política Fiscal Aduaneira e Comércio Internacional na CTA, recordou que, “com muita fanfara”, a PRM, as Alfândegas de Moçambique, o INATTER, o SENAMI e o SENSAP apresentaram, há dias, equipas que eventualmente deviam estar em “prontidão para resolver o problema” que hoje se verifica em Ressano Garcia.

Para Kekobad Patel, “não é possível as pessoas chegarem” à fronteira de Ressano Garcia sem comprovativos de testes negativos à COVID-19 e documentos de viagem. “Qual é o papel da triagem?”.

A fonte, que falava ao programa Manhã Informativa da Stv, esta quarta-feira, considera ainda que as autoridades deviam ter impedido os camionistas de efectuarem viagens durante o período de regresso dos trabalhadores e demais cidadãos. Aliás, Kekobad Patel disse ter camiões encalhados naquele congestionamento é “um prejuízo monumental” para os proprietários. “Houve um processo de comunicação muito mau”.

Num outro desenvolvimento, o interlocutor considerou que Moçambique já devia ter-se posicionado no sentido de ter uma equipa a realizar testes rápidos na fronteira de Ressano Garcia, de modo a responder às exigências das autoridades sul-africanas.

A proliferação de testes falsos no país nos últimos dias e o “não solucionamento” do problema pelas autoridades competentes gerou desconfiança do lado sul-africano, prova disso é a realização de mais um teste logo à entrada do país.

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