O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Nampula diz ter abortado uma tentativa de venda de uma jovem a 3 milhões de meticais. O caso deu-se na última semana de Dezembro e há três detidos em conexão com o caso.


MAPUTO- Uma história de amor que segundo os investigadores criminais ia terminar no tráfico humano. Uma jovem de 20 anos de idade, estudante da 12ª classe, residente na cidade de Nampula, conheceu outro jovem de 31 anos, em Dezembro último, e em poucas semanas de relacionamento estava em marcha um suposto plano de venda da mesma.

“Trocamos número e disse: ‘eu gostei de si menina; quero namorar consigo e se possível podemos casar. Quero me apresentar na casa dos teus pais’. Eu disse que está bem. Começamos a namorar. Durante umas semanas ele me pressionava dizendo que sou a mulher dele. Eu não sabia que ia ser vendida”, disse a vítima.

A história tem várias versões, o mesmo que acontece com os envolvidos (3). Uma delas é uma jovem que terá sido contactada pelo principal suspeito para encontrar interessados no negócio e foi daí que o caso chegou à Polícia.

“Disse que ‘tenho uma bolada (negócio informal). É uma pessoa’, e eu disse que nunca vendi uma pessoa. Deixou-me ir e disse para pensar. Quando cheguei (à casa) contei a uma pessoa que trabalha num posto policial que conheci uma pessoa que disse para vender uma pessoa, mas eu nunca fiz isso”, disse.

A jovem que alegadamente seria vendida estava no distrito de Rapale (cerca de 20 km da cidade de Nampula) no dia em que os agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal, SERNIC, fizeram a captura dos envolvidos. Mas o principal suspeito explicou que a “namorada” viajou de livre vontade e não se tratava de uma manobra criminal.

“Fomos com a Polícia até à vila de Rapale. Continuei a ligar para ela e disse que não estava na vila e disse para ir até uma zona, para quem vai a Mecubure. Fui com a Polícia até lá e quando liguei para ela apareceu fomos com ela até onde estava a mãe e a tia”.

Durante as investigações, um dos agentes do SERNIC fez-se passar por comprador e inclusivamente já havia proposta do preço, segundo conta a porta-voz da instituição em Nampula, Enina Tsinine.

“A negociação era de cerca de três milhões de meticais, dependendo, se for virgem e se não for podia, o valor variava. Foi ali que o SERNIC abordou e se (aperceberam), que se tratava de um agente do SERNIC, fez-se a detenção, assim como a apreensão da viatura em que se faziam transportar”.

Considera-se um caso isolado em Nampula, atendendo que não há registo de um caso semelhante que tenha ocorrido no ano passado.

Ainda na cidade de Nampula, o SERNIC deteve na última semana de Dezembro três indivíduos que fazem parte de um grupo de 10 que invadiu a Associação Islâmica e roubou diversos bens.

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